Vape/Pod: O perigo por trás dos “cigarros da moda”

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Por Kelyanne Carvalho

Atraentes ao paladar e ao olfato, e encontrado em diversos designs, eles vêm conquistando cada vez mais adeptos de todas as idades (incluindo crianças e idosos). Estamos falando dos dispositivos alimentados por bateria que vaporizam produtos químicos como nicotina e/ou THC (tetra-hidrocanabinol), misturados com sabores variados. São os vapes (ou pods). Mas, o que realmente se esconde atrás dos cigarros eletrônicos?

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Essa pergunta, geralmente rebatida com frases do tipo: “Não faz mal como o cigarro comum”, mascara uma realidade bem mais perigosa. É que o cigarro eletrônico – o atual “queridinho do momento” no Brasil -, pode causar mais danos à saúde do que se imagina. Especialistas alertam para essa moda que pode prejudicar gravemente o pulmão, o cérebro e servir, inclusive, como porta para outros vícios.

Apesar de existirem há bastante tempo, só há cerca de três anos que os vapes ou pods (versão menor do cigarro eletrônico) se tornaram mais conhecidos no Brasil, aparecendo como uma solução para largar o vício do cigarro. Eles foram projetados visando o público que é fumante, oferecendo uma opção mais “saudável”, econômica e sem fumantes passivos. O acessório se apresenta livre de substâncias nocivas à saúde, presentes no cigarro comum. Então, de forma inteligente, a indústria desses vaporizadores eletrônicos extremamente atrativos conquistam também os não-fumantes.

Embora aparentemente inofensivos, os cigarros eletrônicos podem conter produtos químicos tóxicos, aditivos e prejudiciais ao desenvolvimento do cérebro. É o que comprovam estudos pré-clínicos e clínicos realizados em países onde o uso do cigarro eletrônico se tornou habitual. Esses aparelhos podem promover neuroinflamação, disfunção da barreira hematoencefálica e disfunção cognitiva nos usuários, com predominância no sexo masculino.

Apesar dos perigos encontrados nos vapes, pouco ainda é divulgado sobre eles. O motivo é o pequeno número de pesquisas que investigaram os efeitos do cigarro eletrônico na saúde.

Atenção Pais!

Fumar escondido dos pais era uma difícil aventura quando o cigarro utilizado deixava mau hálito, o odor da fumaça impregnado nas roupas e no ambiente, além da sujeira das cinzas e das piolas (bitucas). Agora, a indústria do cigarro facilitou a vida de quem quer fumar escondido. São formatos, tamanhos, cores, sabores e cheiros variados que, não só atraem especialmente crianças e jovens, mas também disfarçam muito bem o aparelho. Eles podem ser um vaporizador maior (vape) ou bem pequeno (pod), chegando a parecer apenas uma caneta ou um pen-drive; facilitando serem portados e utilizados de forma discreta.

“Devido ao cigarro eletrônico ser facilmente manuseado, pode-se instalar ali vários tipos de produtos químicos, inclusive com a associação à nicotina. E também usar drogas que passam despercebidas por qualquer pessoa, se tornando uma porta para o vício. Começa com a nicotina, que é um produto viciante”, alerta o pneumologista Alexandre Araruna.

O especialista chama a atenção para o perigo das substâncias do vape. “Esses produtos químicos contêm vários componentes desconhecidos que geram inflamação no pulmão. Isso vai encetar nessas pessoas doenças diversas”, afirma. Ele conta que já atendeu dois pacientes jovens que foram internados em João Pessoa com sangramento no pulmão e, só depois, contaram aos pais que usaram o vape.

“Geralmente o vape é comprado por adolescentes para usar no fim de semana. Ele bota no bolso escondido, vai para uma festa, usa e ainda passa para várias pessoas. Não deixa cheiro, nem sabor e os pais só vão descobrir depois de algum dano, como desconforto respiratório, falta de ar, tosse, dor, fadiga… Ou seja: após os prenúncios iniciais de que algo mais complicado vai aparecer”, frisa.

De acordo com o pneumologista, diferente do cigarro comum, ainda não há dados crônicos sobre o uso dos cigarros eletrônicos porque a utilização do produto é recente. “Sempre se justifica o cigarro eletrônico por não ter as inúmeras substâncias que o cigarro tradicional possui. O fato é que nenhum dos dois é saudável. Nenhum dos dois faz menos mal. O pouco que fizer de mal, é danoso à saúde”.

Alexandre Araruna lembra que as produções desses cigarros variam de acordo com os interesses de fazer a pessoa se viciar, na inocência de que ali faz menos mal do que o cigarro tradicional. “Porque o outro é feio e custa muito pouco. Foi algo da indústria muito inteligente, que não veio para o bem, mas para destruir a saúde”.

Ele conta que o número de tabagistas brasileiros havia caído brutalmente nos últimos anos. “Com menos pessoas comprando cigarro, a indústria do tabaco criou um cigarro bonitinho, diferenciado, aparentemente atrativo e se dizendo saudável. Hoje, em alguns locais do Brasil, 30% da população já faz uso do cigarro eletrônico”.

Segundo o pneumologista, inalar as substâncias dos cigarros eletrônicos como passivo é também uma grande dúvida. “O vape não exala a fumaça do cigarro tradicional e sim um vapor. Neste propósito, elas também podem ser danosas e não sabemos por ser algo novo”, finaliza.

Venda Ilegal

A comercialização dos cigarros eletrônicos ainda é proibida no Brasil pela ANS e a Anvisa, no entanto, eles são facilmente adquiridos através de sites e até encontrados expostos nas vitrines de tabacarias, lojas de conveniência, bancas de jornal, supermercados, bares e restaurantes, etc.

Os preços dos vaporizadores variam, cabendo em qualquer bolso (assim como o tamanho). Tudo depende da marca, modelo, forma de uso (se é recarregável ou não), entre outros detalhes.

Depoimento de Influencer

Em meados de novembro, a digital influencer cearense Luana Maria, a Luluty, fez um alerta nas suas redes sociais sobre o uso do vape ou pod. Mostrando o resultado de um exame, ela atribuiu um nódulo adquirido no pulmão ao uso de cigarros eletrônicos.

Uso por Fumantes

O estudante Victor Menezes recentemente passou a fazer uso do vape para se livrar do vício do cigarro tradicional. Mas, ledo engano. O neurologista Rafael Andrade explica que, assim como o cigarro tradicional, os cigarros eletrônicos também viciam, devido a nicotina existente.

Os benefícios do cigarro eletrônico precisam ser considerados apenas como paliativos para fumantes. Ele tornou-se uma alternativa eficiente no processo de eliminar o cigarro comum por oferecer a mesma sensação ao fumar, porém, sem os milhares de componentes químicos e nocivos que há nessa fumaça.

No entanto, de uma forma geral, o vape não pode ser considerado como um adendo positivo à saúde do fumante. É preciso considerar os males ao organismo, principalmente a longo prazo.

Valter Nogueira
Valter Nogueira
Valter Nogueira de Amorim, jornalista profissional, é o editor-chefe do blog. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Paraíba (1988). Atuou nos principais jornais impressos do Estado, tais como A União, O Momento, Correio da Paraíba e O Norte. No campo administrativo, foi secretário de Comunicação da Prefeitura Municipal de Santa Rita (1997-2005), assessor de Imprensa da Prefeitura de Pedras de Fogo (2008). Exerceu, também, o cargo de gerente de Comunicação do Tribunal de Justiça da Paraíba, no período de fevereiro de 2015 a janeiro de 2019.

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