A relação entre a Europa e os Estados Unidos atravessa um dos seus momentos mais tensos e críticos. A análise das posições diplomáticas e da opinião pública revela um distanciamento profundo, motivado especialmente por operações militares americanas recentes que muitos líderes e cidadãos europeus consideram sem justificativas plausíveis sob o direito internacional.
A maioria dos países europeus se posiciona contra os planos expansionistas ou de intervenção direta dos EUA por entenderem que tais ações enfraquecem o Direito Internacional e criam instabilidade econômica direta para o continente.
Nessa esteira, destaque para o Reino Unido com posição também contrária à atual política de intervenção americana. Contrariando a regra e as expectativas de Trump, a Inglaterra deixa de chancelar as decisões de Washington.
Há alguns pilares que fundamentam a posição europeia. O primeiro diz respeito à divergência estratégica e crítica à legitimidade. A principal fonte de atrito em 2026 é a condução da política externa dos EUA em conflitos no Oriente Médio, notadamente contra o Irã.
Em seguida, vem a ausência de justificativa legal. Isto é, grande parte dos governos europeus, liderados pelo eixo França-Alemanha, tem reforçado que os ataques americanos e israelenses contra o Irã em 2025/2026 carecem de uma base sólida no Conselho de Segurança da ONU.
Outra questão é o que pode se chamar de ‘Dilema da Guerra Preventiva’. A Europa argumenta que o uso da força contra ameaças “iminentes” não comprovadas mina a ordem internacional baseada em regras – guerra não pode ser deflagrada com base em suposições.
Para os europeus, as ações são vistas como “guerras de escolha” e não “guerras de necessidade”.
A Europa tem, ainda, outro motivo para passar ao largo da guerra no Oriente Médio, a saber: Ucrânia. A Europa não condenar o uso da força sem justificativa pelos EUA, ela perde a autoridade moral para exigir que o restante do mundo apoie a Ucrânia contra a invasão russa.
Em paralelo a questão moral, tem o aspecto econômico. As intervenções americanas têm gerado choques no preço da energia. O conflito no Oriente Médio desestabiliza o fornecimento de petróleo e gás, atingindo diretamente as economias europeias ainda em recuperação.
Defesa própria
Diante do que classificam como “imprevisibilidade americana”, a resposta europeia tem sido acelerar a criação de uma identidade de defesa própria. Os Estados Unidos já não são mais o xerife do Ocidente, mas, sim, apenas guardião de seus próprios interesses.
Resumo
A Europa, hoje, prefere a via diplomática e o multilateralismo, vendo a agressividade de Washington sob a batuta de Trump como um risco à própria segurança europeia.