A cidade de João Pessoa experimenta o “boom” do turismo. Nesse diapasão, a infraestrutura — asfalto, limpeza, iluminação e novos hotéis — é apenas um conjunto de peças da engrenagem. A outra parte é o fator humano – a mais memorável para quem visita uma cidade. O atendimento de excelência atrai o coração do viajante.
Quando uma cidade decide crescer pelo turismo, ela deixa de vender apenas destinos e passa a vender experiências. E quem entrega essa experiência não é o prefeito ou o secretário, mas o recepcionista, o garçom e o vendedor ambulante.
A hospitalidade tem que ser encarada como diferencial competitivo. Em um mercado globalizado, praias e monumentos históricos existem em muitos destinos. O que faz um turista retornar e indicar o destino é o acolhimento.
A qualificação profissional transforma o atendimento de “transacional” para “relacional”. O profissional qualificado é um embaixador da cidade. Ele sabe indicar o melhor prato, contar a história da praça e orientar sobre segurança.
Na esteira da qualificação, há um importante item voltado ao setor informal, a saber: a padronização. Ela nos remete à uniformes e ou jaleco padrão. A estética de uma cidade turística passa pela organização. Por vezes, o setor informal (como os camelôs e vendedores de praia) é visto como uma nódoa na paisagem urbana. No entanto, os trabalhadores de setor são parte vital da economia local.
A implementação de um uniforme ou jaleco padrão para esses trabalhadores traz benefícios imediatos, a exemplo de segurança para o turista. Isto é, o visitante identifica rapidamente quem é um prestador de serviço autorizado, reduzindo o medo de abordagens indevidas.
Para o trabalhador, o uniforme confere autoridade e orgulho. Ele deixa de ser “alguém vendendo algo” para se tornar parte integrante do segmento turístico.
É bem verdade que a padronização não deve ser apenas estética. Assim, o jaleco deve vir acompanhado de um crachá de identificação e, claro, só entregue após o vendedor passar por uma oficina básica de atendimento e boas práticas de higiene.
Pie fim, há também a higiene visual. Uma padronização de cores e logos ajuda a limpar o visual da cidade, transmitindo uma imagem de organização e cuidado governamental. Neste quesito, menos é mais!
Última
Investir em pessoal é investir no futuro. A qualificação gera um círculo virtuoso que beneficia todos os envolvidos. Uma cidade que cresce no turismo sem qualificar seu povo é uma cidade que cresce sem alma.