Informação obtida pela Reuters aponta que um e-mail interno do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, vazado e reportado inicialmente pela agência francesa, revela que Washington estuda uma série de medidas punitivas contra aliados da Otan. O motivo da retaliação é a recusa de países como Espanha e Reino Unido em oferecer apoio irrestrito à ofensiva militar de EUA e Israel contra o Irã.
De acordo com o texto da mensagem interna, revelada por um funcionário sob condição de anonimato, são consideradas opções como a suspensão da Espanha da Otan e a reavaliação da posição de Washington sobre as Ilhas Malvinas britânicas, historicamente reivindicadas pela Argentina.
A frustração estadunidense ocorre em meio à recusa de aliados em permitir o uso de seus territórios para ataques diretos ao Irã, gerando uma crise diplomática na aliança militar de 77 anos.
Espanha
Em relação à Espanha, o presidente dos EUA, Donald Trump, já havia mostrado contrariedade com a decisão de Madri de fechar seu espaço aéreo e proibir o uso de bases conjuntas para ataques ao Irã, chegando a ameaçar o corte de relações comerciais.
Questionado na sexta-feira (24) sobre o vazamento durante uma cúpula da União Europeia no Chipre, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, minimizou a ameaça e lembrou que o tratado da Otan não prevê mecanismos de expulsão.
“Não estou absolutamente preocupado. Não trabalhamos com e-mails. Trabalhamos com documentos oficiais e posições tomadas, neste caso, pelo governo dos EUA. A posição do governo da Espanha é clara: colaboração absoluta com os aliados, mas sempre dentro do marco da legalidade internacional”, disse o primeiro-ministro da Espanha, segundo a Al Jazeera.
Chantagem contra Londres
Sobre a posição do Reino Unido, Trump já havia zombado dos porta-aviões britânicos, chamando-os de “brinquedos”, e criticado o primeiro-ministro Keir Starmer por não autorizar inicialmente o uso de bases do Reino Unido para ataques ofensivos ao Irã, afirmando que ele “não é um Winston Churchill”.
Em resposta à ameaça sobre as ilhas, um porta-voz de Downing Street disse ao site Politico que a posição britânica permanece inalterada, pontuando que as ilhas “votaram de forma esmagadora a favor de permanecerem um território ultramarino do Reino Unido, e sempre defendemos o direito dos ilhéus à autodeterminação e o fato de que a soberania pertence ao Reino Unido”.
“Já expressamos essa posição de forma clara e consistente a sucessivas administrações americanas e nada vai mudar isso”, pontuou ainda o porta-voz.