O futebol é um esporte fascinante justamente porque recusa seguir roteiros previsíveis. Na tarde desta terça-feira (7), quando a Argentina entrou em campo para enfrentar o Egito, todos esperavam um roteiro tradicional. No entanto, o que se viu foi um drama digno de cinema, onde o maior protagonista da nossa era provou, mais uma vez, que as leis da lógica humana não se aplicam a ele – Lionel Messi não é deste mundo!
E o enredo cinematográfico, por assim dizer, começou com o drama do pênalti – Choque Inicial, pode ser o nome do capítulo. O jogo começou tenso: a seleção do Egito, com uma postura tática impecável e uma defesa sólida, neutralizava as principais investidas albicelestes. A grande chance de abrir o placar veio no primeiro tempo: pênalti para a Argentina.
Messi na bola. O estádio prendeu a respiração!
Aconteceu que, contra todas as probabilidades, o goleiro egípcio acertou o canto e defendendeu a cobrança. Para qualquer jogador comum, um golpe desse tamanho — a pressão de uma nação inteira nas costas — seria o início de uma noite de apagão.
No entanto, Messi está longe de ser comum.
A diferença entre os grandes jogadores e os gênios é como eles reagem ao erro. Messi não se abateu; ele se transformou e o mundo assistiu à metamorfose de um gênio. Após o erro, o camisa 10 argentino pareceu ativar um modo de jogo que só ele possui. Em vez de se lamentar, ele chamou a responsabilidade para si e ditou o ritmo do confronto. O que se viu a partir dali foi um recital de futebol, começando pela visão de jogo absurda do craque; passes que quebravam duas linhas de marcação com um único toque.
Messi organizava o meio-campo, acalmando os companheiros mais jovens. Para o deleite dos espectadores, o craque emplacou dribles desconcertantes, limpando o espaço em zonas congestionadas do campo para criar superioridade numérica. A Argentina se reagrupou sob o seu comando.
No contexto do grande jogo de hoje, Messi não apenas jogou; ele regeu a orquestra. Ele era o início, o meio e, eventualmente, o fim de todas as jogadas de perigo.
Ante o impacto no placar – 2 a 0 para os egípicios até os 32 minutros do segundo tempo – , é possível e aceitável que muito gente tenha dado como certa a derrota e eliminação da Argentina.
De repente, tudo mudou – como que da água para o vinho. Isto é, não demorou para que a genialidade se traduzisse em gols. Sob a batuta do craque, a Argentina envolveu a marcação egípcia. Messi limpou a jogada na intermediária e serviu um passe milimétrico para Cuti Romero marcar, de cabeça, o primeiro gol da Argentina. Pouco depois, em uma jogada individual que parecia flutuar entre os defensores, ele mesmo (Messi) tratou de balançar as redes: segundo gol da Argentina, jogo empatado. Cerca do final, mais um tento dos argentinos; Enzo marcou o gol da virada selando uma vitória maiúscula e incontestável.
Ao errar o pênalti e, logo em seguida, entregar uma das exibições mais dominantes e espetaculares de sua carreira, Lionel Messi deu uma aula de mentalidade competitiva. Ele transformou a frustração em combustível e o ceticismo em aplausos. O Egito foi um adversário valente, mas diante de um ser de outra galáxia inspirado, não há tática que resista. Nós, meros mortais, só podemos agradecer pelo privilégio de testemunhar a história sendo escrita ao vivo.