Matéria publicada em o Estadão aponta que a audiência com o ex-diretor de Saúde dos Estados Unidos, Anthony Fauci, no Senado americano, reacendeu uma onda de desinformação sobre vacinas e a pandemia de covid-19 nas redes sociais.
Nos últimos dias, médicos brasileiros e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro insinuaram que a audiência provou que eles estavam certos ao recomendar o tratamento precoce contra a doença e ao afirmar que as vacinas e outras medidas de prevenção não eram eficazes. Mas nada disso é verdade.
Na verdade, o imunologista Anthony Fauci recusou-se, na última quarta-feira (29), a responder a perguntas de uma comissão liderada por republicanos sobre sua gestão durante a pandemia.
Fauci invocou a Quinta Emenda da Constituição americana e permaneceu em silêncio, o que, diferentemente do que circula em redes sociais, não significa admissão de culpa. O objetivo é proteger indivíduos contra eventuais coerções, erros e transferência injusta do ônus da prova de supostos atos ilícitos.
A sessão nos EUA ocorreu após o presidente do comitê, o senador republicano Rand Paul, divulgar mais de 1,1 mil páginas de um diário atribuído a Fauci. As anotações, segundo Paul, mostrariam uma convicção diferente de Fauci sobre medidas que ele publicamente orientou para combater a covid. Trechos do documento foram usados por republicanos para questionar a segurança das vacinas de mRNA, as hipóteses sobre origem da covid-19 e as recomendações de lockdown e uso de máscaras.
No Brasil, postagens usaram trechos da audiência e alegações de políticos americanos para espalhar desinformação. Houve alegações de confirmação de que a “vacina não funcionava” e de que o ex-presidente Bolsonaro estava certo ao recomendar o tratamento precoce contra a covid-19.
Mas, assim como a audiência no Senado dos EUA, as anotações de Fauci não oferecem evidências que suportem as falsas alegações.
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