O ministro Dias Toffoli, pressionado por seus colegas de toga, deixou a relatoria do caso do Banco Master. O gesto parece ser a única alternativa honrosa que o ministro tinha a fazer – mas não é. Afinal, ele jogou a toalha após pressão interna de seus pares. Deveria, sim, pedir aposentadoria – deixar o cargo.
Atolado até o pescoço no caso Banco Master, Toffoli passa, agora, a ser figura incômoda na sala do Supremo Tribunal Federal (STF). Se tiver dignidade, em respeito ao povo brasileiro, o ministro deve recorrer à aposentadoria – a forma honrosa de sair de cena.
O pior é que o caso Toffoli/Banco Master é, apenas, a ponta do iceberg da corrupção no Brasil. A linha do tempo do país revela essa perversa realidade.
As práticas criminosas envolvendo figuras de proa dos três poderes do país não são de hoje, remonta ao Basil Império. Acontece que a sociedade brasileira sempre fez vista grossa para os casos e escândalos de corrupção.
A elite brasileira, com raras exceções, sempre viveu de corrução. Acontece que em um passado recente tudo era abafado. Afinal, a elite dominava toda a máquina de poder – indicava senadores, juízes, promotores, delegados etc. Assim, era fácil jogar a sujeira para debaixo do tapete.
O pior é que a classe alta ainda tenta passar pano em certas situações, quando pode; só solta a mão dos seus quando a casa cai, quando não tem mais jeito. Segue a máxima de, em última instância, corta-se o galho podre para não contaminar a árvore.
Exemplo disso está acontecendo agora com Toffoli. O processo de isolamento do ministro já começou – é inevitável! Isso significa que o Sistema já o entregou aos leões. É a forma de salvar a mão cortando um único dedo.
Toffoli é apenas um dentre tantos outros que praticam o mesmo crime e que, por ironia, saem impunes – infelizmente!
A história do passado e do presente deste país comprova essa realidade vergonhosa. O país aprendeu a ver na corrupção um espetáculo, algo quase que imprescindível para o próprio funcionamento do país – deplorável! Parece que, no Brasil, sem a corrupção, o país não funciona – que coisa!
Se o cidadão honesto, que paga impostos, observar bem, rever a história administrativa e política do país – sem o viés político e ou ideológico – , vai perceber que Toffoli não é uma peça solta de uma engrenagem que funciona da mesma forma há 525 anos. Ou seja, há mais de meio milênio este país vem sendo saqueado e, o mais grave, com a anuência implícita do próprio povo brasileiro.
Por Valter Nogueira