
O homem não pode mudar a direção do vento, mas pode ajustar as velas do barco para chegar aonde quer — lembra Confúcio/Cora L. V. Hatch. O motivo do introito é para dizer que em um mundo onde o brilho das telas de LED substitui o amarelado das páginas e o algoritmo dita o ritmo do consumo, surge uma figura heroica que lembra Dom Quixote: o escritor brasileiro que insiste no papel.
Produzir e lançar um livro físico hoje, no Brasil, não é apenas um ato de criação artística; é um manifesto de resistência, um exercício de abnegação que desafia estatísticas e tendências globais.
Nesse diapasão, destaque para o professor e escritor Francisco Evangelista, que acaba de escrever um novo capítulo na história da literatura brasileira, ao lançar mais um livro físico – ‘Páginas da minha vida’, é o título da obra.
A noite de autógrafos aconteceu na última sexta-feira, dia 27 de fevereiro do ano em curso, na Sala de Eventos do Hotel Oceana, no Bairro do Bessa, em João Pessoa. Na obra, o autor traz à tona relatos de memórias, sentimentos e história que marcaram a sua trajetória.
– Quando me deparo com um livro que traz à tona memórias, uma frase sempre vem à mente: O passado é o presente batizado de saudade!
Ato nobre
Vale destacar que o lançamento da obra literária em tela se revestiu de um ato nobre: o valor do livro foi simbólico (R$ 50,00), e toda renda foi destinada à Paróquia Nossa Senhora de Lourdes.
Livro
Páginas da minha vida é um livro autobiográfico. Nele, o autor traduz em palavras sentimentos e reminiscências, cativando o leitor nas primeiras linhas. Na escrita, lança mão de signos, significados e significantes ao narrar a saga de luta de um nordestino que veio, viu e venceu!
Francisco Evangelista presenteia o público leitor com um livro em que o tom de conversa é ponto focal, como que um convite à reflexão sobre aquilo que ele viu e viveu; seja na política, na economia, no Direito, na agricultura ou no serviço público.
Resistência
Voltando à luta do autor brasileiro que insiste no papel, destaca-se que a aventura começa antes mesmo da primeira palavra ser impressa. Logo, o autor se depara com baixo índice de leitura. A média de leitura do brasileiro permanece estagnada; quanto à produção, muitas vezes limitada a poucos livros lançados por ano.
Em seguida, vem o custo de produção; o papel não é apenas um suporte, é uma commodity cara. Com a inflação e a crise nas grandes redes de livrarias, o custo gráfico torna o livro físico um item raro.
No entanto, o livro físico possui uma “alma” que o digital ainda não conseguiu emular. No físico, existe a magia do tato que o PDF ignora. Um livro na estante é um testemunho silencioso. Ele não depende de bateria, conexão à internet ou da existência de uma plataforma específica.
Última
Escrever é um ato solitário, mas publicar no papel é um ato de fé. Nessa era digital, é acreditar que, em algum lugar, alguém vai desligar as notificações do celular para mergulhar no universo que o autor construiu com tinta, talento e fibra.
Por Valter Nogueira