PUBLICIDADE

Quem nos protege do mau policial? Isto é, dos protetores da sociedade? A pergunta é velha, corrompida pelo tempo e pelo uso, mas insiste em sangrar toda vez que o Estado falha e expõe uma dura realidade. A mais recente atende pelo nome de ‘Operação Pérfidus’.
O nome é cirúrgico. Pérfido é o traidor, aquele que age na sombra, que jura lealdade sabendo que vai cravar o punhal pelas costas.

Na Paraíba, o punhal veio de onde deveriam vir o escudo e a espada. Um delegado e dois policiais civis foram presos. Não por erros de procedimento, não por excesso de zelo. Foram presos porque decidiram rasgar a farda, jogar o distintivo na lama e sentar-se à mesa com o crime.

Viraram mercadores da desgraça alheia. Negociantes de drogas.

É de uma indignação que sufoca!

A maioria dos cidadãos comuns acorda às cinco da manhã, espreme-se num ônibus lotado, trabalha o dia inteiro sob o medo constante de um cano de revólver, tudo para pagar impostos que, no fim das contas, financiam o salário, a viatura e a arma de quem escolheu revender o veneno que mata nossos jovens.

O roteiro é de um cinismo criminoso. Em vez de combater o tráfico, de estancar a sangria que destrói famílias inteiras, esses sujeitos usavam a máquina pública, a inteligência e a autoridade que o povo lhes delegou para gerenciar o balcão de negócios do crime organizado. É a privatização da segurança pública em benefício do próprio bolso. É a raposa cuidando do galinheiro, mas com carteira funcional e porte de arma pago pelo contribuinte.

O que passa na cabeça de um delegado — alguém que estudou, que passou em um concurso concorrido, que jurou cumprir a lei — quando ele decide que o seu preço é o dinheiro sujo do tráfico? Como olham nos olhos de seus subordinados honestos? Como conseguem dormir sabendo que a mesma mão que assina uma ordem de prisão é a mão que aperta a do traficante na hora de fechar o trato?

A sociedade fica refém: perdemos o direito de saber em quem confiar.

A polícia de bem é desmoralizada: milhares de homens e mulheres honestos, que arriscam a vida diariamente por um salário frequentemente injusto, são manchados pela podridão de poucos.

Reflexão

Quando o Estado vira sócio do crime, a barbárie ganha selo oficial.

Por Valter Nogueira

Picture of Valter Nogueira

Valter Nogueira

Valter Nogueira de Amorim, jornalista profissional, é o editor-chefe do blog. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Paraíba (1988). Atuou nos principais jornais impressos do Estado, tais como A União, O Momento, Correio da Paraíba e O Norte. No campo administrativo, foi secretário de Comunicação da Prefeitura Municipal de Santa Rita (1997-2005), assessor de Imprensa da Prefeitura de Pedras de Fogo (2008). Exerceu, também, o cargo de gerente de Comunicação do Tribunal de Justiça da Paraíba, no período de fevereiro de 2015 a janeiro de 2019. No período de maio de 2024 a março de 2025, Valter Nogueira respondeu pela ASCOM do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.