O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, nesta quinta-feira (15). A decisão ocorreu após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), conforme reportam os principais meios de comunicação do país.
A medida entra em vigor em 22 de julho.
A nova taxa, baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, atinge milhares de produtos brasileiros e deve afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais, segundo levantamento preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A conclusão do processo vem após um ano de negociações entre Brasília e Washington. Nesse período, o governo brasileiro realizou diversas reuniões com representantes americanos, incluindo encontros nas últimas semanas, mas não conseguiu reverter a aplicação das tarifas.
Apesar do alcance da medida, os principais produtos da pauta de exportação brasileira para os EUA ficaram fora da nova cobrança.
Lista dos principais itens isentos:
Carne bovina, café, Laranjas e sucos de laranja, petróleo bruto e gás natural, aeronaves civis, helicópteros, motores e componentes aeroespaciais, pastas químicas de madeira, celulose de madeira, mel orgânico, ferro-gusa, castanhas.
Principais itens sujeitos a tarifa de 25%:
Etanol, Açúcar orgânico, Máquinas agrícolas, Vestuário, Maquinário elétrico, Calçados, Ferramentas de jardinagem, Papel, Bens de capital, Manufaturados em geral.
Na investigação comercial, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.
A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos EUA.
Medida pode ser modificada
Apesar da decisão, o governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas.
A nova cobrança ocorre em um cenário em que parte das exportações brasileiras já estava submetida a outras tarifas impostas pelos EUA, principalmente nos setores de aço e alumínio.