Em passagem pelo Brasil, o economista Christopher Pissarides, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2010, afirmou que a tendência mundial é de redução da carga horária de trabalho e que esse movimento pode resultar em ganhos de produtividade.
Para o economista, trabalhar menos horas não significa necessariamente produzir menos. “Diria que, mais do que possível, é provável que a produtividade aumente se você souber que tem menos horas para trabalhar”, declarou.
De origem cipriota e nacionalidade britânica, Pissarides esteve no Rio de Janeiro para participar, nesta quinta-feira (16), da 25ª Conferência Anual da Sociedade para o Avanço da Teoria Econômica (Saet), realizada na sede do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).
A visita coincidiu com o momento em que o Brasil debate o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e descansa apenas um.
Na avaliação de Pissarides, a redução da jornada não deve provocar pressões relevantes sobre a inflação, desde que seja implementada com flexibilidade e respeite as necessidades de diferentes setores da economia.
Professor da London School of Economics (LSE) e da Universidade de Chipre, o economista também abordou os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Embora reconheça que a tecnologia substituirá parte das ocupações, ele descarta um cenário de destruição generalizada de empregos.