Especialistas alertam quanto à saúde mental no fim do ano

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 Por Kelyanne Carvalho

Comemorar as festas de fim de ano em família, fechar e abrir novos ciclos, etc., envolvem cobranças internas e externas que o ser humano nem sempre consegue lidar com facilidade. A pressão sofrida por algumas pessoas acaba levando a um problema bastante comum, especialmente no final do ano: a depressão. De acordo com psicólogos, vários contextos e situações incidem neste período funcionando como gatilhos para o sofrimento.

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Trata-se de uma época na qual é tradicional a união das famílias e dos amigos. A todo o momento as pessoas são lembradas disso, pela mídia e redes sociais, com imagens e situações felizes. No entanto, nem sempre essas relações são (ou estão) saudáveis, sendo motivo para se questionar quanto a qualidade de seus relacionamentos. Há os conflitos familiares e também as situações de perdas, sejam afetivas, profissionais ou financeiras.

A depressão nessa época festiva pode atingir qualquer pessoa, sendo as que já sofrem da doença ou de ansiedade, mais suscetíveis à piora do quadro.

O doutor em Psicologia e professor de Psicopatologia, Ramon Fonseca, explica que as datas comemorativas que normalmente são carregadas de muito afeto, a exemplo do Natal, do Dia dos Pais ou das Mães, funcionam como gatilhos culturais e podem provocar o sofrimento psíquico, especialmente para quem possui uma vulnerabilidade.

“Os valores culturais são expressados pelas festas. A incidência da depressão é maior no Natal porque na nossa cultura ocidental essa festa é muito forte. A ideia do Natal é de fartura e família. Se eu não tenho família, não tenho com quem me juntar no Natal ou não tenho dinheiro para comprar uma ceia, eu sinto a ausência”, explana.

Segundo Ramon, é comum o relato de pessoas sobre um Natal triste porque não têm harmonia em família. E, nas famílias em que se tem harmonia, relatos de tristeza por não conseguir fazer uma ceia ou comprar presentes para os filhos. “Algumas pessoas nunca tiveram uma ceia de Natal. Para elas, comprar um frango para o Natal é uma meta de vida, porque até então só comem cuscuz na ceia”, afirma.

Fim de Ano 2021

No fim do ano passado, em muitas cidades, as festas estavam proibidas para não gerar aglomeração e, por consequência, a propagação do vírus da Covid-19. Este ano, com a diminuição da pandemia, as festividades estão liberadas em vários estados. Isso deveria ser motivo de alegria, ainda assim, algumas famílias enxergam não ter o que comemorar, pois perderam seus empregos ou entes queridos, entre outras perdas.

A psicóloga Danielle Azevedo frisa que se trata de uma fase em que os sentimentos ficam muito mais aflorados e as emoções tomam conta. “Dezembro é um mês que enaltece o espírito natalino e a união fica evidente. Há ainda a retrospectiva do que foi feito o ano inteiro, a reflexão e despedida de tudo o que aconteceu e o começo de um novo ano. Fica meio internalizado que se está no último mês do ano com a sensação de missão cumprida, ou não. Nesse sentimento de frustração, de desespero, algumas pessoas tendem a ter oscilação de humor, recaídas na depressão”, explica.

Danielle lembra que “do final para o início do ano existe muita autocobrança, inclusive financeira, pois chega a época de fazer matrícula, pagar IPVA, IPTU e tantas outras taxas e as pessoas se preocupam muito com isso”.

A união de todos esses fatores aumenta a sensibilidade e desencadeia sentimentos de ansiedade, tristeza, vazio interno, frustração, angústia, perda do prazer, medo, entre outros.

Em meio a tanta coisa, é importante ficar atento ao estado de saúde mental, a como essas emoções estão sendo administradas. “Por mais que seja o último mês do ano, eu posso sim equilibrar esses sentimentos de forma mais madura e me dando uma nova oportunidade de recomeço com mais otimismo”, garante a psicóloga.

Tristeza ou Depressão?

Sentir-se triste é algo que acontece com todo mundo. Quem nunca se sentiu desanimado, sem disposição, apenas com vontade de ficar deitado na cama? Mas, quando esse sentimento de tristeza e desânimo ocorre de forma recorrente, é importante ficar atento. Pode ser um sintoma de depressão.

A tristeza pode ser motivada pela perda de uma pessoa querida, o fim de um relacionamento, a perda do emprego, conflitos familiares, insatisfação com conquistas pessoais, dentre outras razões. Esse sentimento é normal diante de um evento e não dura mais que algumas horas ou dias.

Já a depressão é um constante sentimento que se manifesta durante a maior parte do dia, quase que diariamente por no mínimo de duas semanas.

A tristeza não impede ninguém de continuar suas atividades cotidianas. Por sua vez, a depressão incapacita as atividades do dia a dia, trazendo consigo um grande sentimento de apatia.

Em caso de depressão, é importante buscar ajuda profissional. Não se pode esquecer que essa doença, ainda vista por algumas pessoas como “frescura ou falta do que fazer”, pode levar o indivíduo ao suicídio.

Depressão no Brasil

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas, equivalentes a 5,8% da população. Em primeiro lugar estão os Estados Unidos, com 5,9%.

Quando a questão se refere a prevalência de casos de ansiedade, o Brasil ocupa o primeiro lugar.

Diante desses números, justifica-se a importância da campanha Janeiro Branco, que visa à prevenção e à conscientização em relação à saúde mental. Em 2022 será a nona edição.

Como aliviar a depressão nesta época do ano?

Segue abaixo algumas ações que aliviam o sofrimento nesta época do ano:

  • Iniciar uma nova tradição. Ex.: planejar uma viagem ao invés de passar o feriado em casa;
  • Não se sinta obrigado a nada. Ex.: caso se sinta mal em algum evento ou situação, você tem todo o direito de ir embora;
  • Participe de uma ação voluntária. Ex.: distribuir presentes às crianças carentes ou a ceia em comunidades pobres;
  • Entrar em contato com a natureza. Ex.: fazer uma caminhada no parque ou na praia.
Valter Nogueira
Valter Nogueira
Valter Nogueira de Amorim, jornalista profissional, é o editor-chefe do blog. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Paraíba (1988). Atuou nos principais jornais impressos do Estado, tais como A União, O Momento, Correio da Paraíba e O Norte. No campo administrativo, foi secretário de Comunicação da Prefeitura Municipal de Santa Rita (1997-2005), assessor de Imprensa da Prefeitura de Pedras de Fogo (2008). Exerceu, também, o cargo de gerente de Comunicação do Tribunal de Justiça da Paraíba, no período de fevereiro de 2015 a janeiro de 2019.

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