
A cidade de João Pessoa cresce a olhos vistos – é fato incontestável! O dinamismo urbano e o avanço econômico da capital paraibana transformaram a paisagem local, atraindo novos investimentos, fortalecendo o turismo e impulsionando a construção civil. No entanto, o crescimento acelerado traz consigo uma responsabilidade inescapável para a gestão pública: como crescer garantindo qualidade de vida e desenvolvimento sustentável para quem vive na cidade?
Para responder a essa questão, o gestor de plantão deve direcionar sua atenção a dois eixos estratégicos fundamentais: a mobilidade urbana e, no topo das prioridades, a geração de emprego e renda.
O desenvolvimento de uma capital não pode ser medido apenas pela verticalização ou pelo volume de visitantes, mas sim pela dignidade oferecida à sua população. Sob essa ótica, a geração de emprego e renda constitui o motor essencial para assegurar o bem-estar dos residentes.
Proporcionar oportunidades de trabalho formais, incentivar o empreendedorismo local e fortalecer setores estratégicos, tais coo como o comércio, os serviços e a inovação, são passos indispensáveis. Uma cidade forte é aquela em que o crescimento econômico se converte em renda no bolso do cidadão e acesso a serviços de qualidade.
Na outra ponta, surge o gargalo da mobilidade e a atração da Orla. Historicamente, João Pessoa cresceu em direção ao mar. A faixa litorânea tornou-se o grande polo de atração da Capital, concentrando investimentos, opções de lazer e a preferência de visitantes e turistas.
Se por um lado essa vocação impulsiona a economia, por outro gera um gargalo crítico na mobilidade urbana da Orla. A infraestrutura viária e de transporte da região enfrenta pressões crescentes, exigindo soluções inteligentes de tráfego, incentivo ao transporte público eficiente e ampliação de modais sustentáveis, como ciclofaixas e vias de pedestres.
Nesse contexto, diante dos desafios de infraestrutura e da dinâmica erosiva da costa, é inevitável que temas complexos voltem à pauta de debates da cidade. Entre eles, destaca-se a proposta de engorda de praia (aterro), especialmente no trecho da Praia de Manaíra.
Trata-se de uma intervenção de grande porte que envolve tanto o ordenamento urbano e a proteção da infraestrutura praiana quanto o impacto ecológico. Diante dessa realidade, o município não pode adotar posicionamentos simplistas. É indispensável desenvolver um projeto técnico rigoroso, capaz de equacionar o desenvolvimento socioeconômico com a preservação ambiental.
O diálogo como caminho
O futuro de João Pessoa não deve ser decidido de forma isolada nos gabinetes. A viabilização de grandes projetos urbanísticos e ambientais só alcançará legitimidade e eficiência por meio de um diálogo transparente e contínuo com os mais variados segmentos da sociedade pessoense – desde especialistas, ambientalistas e empresários até os próprios moradores do bairro e trabalhadores da região.
Conciliar o crescimento econômico com a sustentabilidade e a fluidez urbana é o maior desafio da gestão atual. Somente com planejamento, escuta ativa e compromisso social será possível garantir que o avanço de João Pessoa continue trazendo orgulho e prosperidade para todos os seus habitantes.
Por Valter Nogueira