Na era da Guerra de Algoritmos, o rugido dos canhões e o deslocamento de tropas – embora ainda relevantes –, tornaram-se secundários ante à velocidade com que os dados fluem. O poder de fogo bruto foi superado pela capacidade de processar, proteger e distribuir informações estratégicas com maior velocidade que o oponente.
Na esteira bélica atual, quem detém o instrumento de comunicação mais eficiente e a inteligência mais rápida não apenas antecipa o movimento do inimigo, mas molda a própria realidade do campo de batalha.
No século XXI, a superioridade informacional é o divisor de águas entre a vitória estratégica e a derrota catastrófica. Hoje, os instrumentos de comunicação não são apenas ferramentas de apoio; eles são as armas de ponta que definem o ritmo e a eficácia de qualquer esforço bélico.
Antes, oficiais generais operavam sob a névoa da guerra, por assim dizer, devido à incerteza causada por informações incompletas ou atrasadas. No cenário digital, essa névoa está sendo dissipada por sistemas de comando, de controle, comunicações, computadores, inteligência, vigilância e reconhecimento (C4ISR).
Estados Unidos e Israel dominam, de longe, o novo campo de batalha; têm know how nos segmentos de comunicação e informação. Além, claro, de contar com forças armadas bem treinadas. A propósito, especialistas apontam que a Força Aérea israelense é mais competente (precisa) do mundo – supera a americana.
Por outro lado, está causando espécie a capacidade de resistência do Irã. Mais do que isso, chama a atenção do mundo a precisão dos ataques iranianos a alvos americanos e israelenses – muitos destes salvos pelo sistema de defesa dos EUA e de Israel.
Exemplo prático
Nesta terça-feira (10), a imprensa internacional reporta que, em Israel, o tempo entre o pré-alerta enviado aos celulares e o acionamento das sirenes de ataque aéreo diminuiu drasticamente nos últimos dias. Segundo a mídia local, a redução estaria ligada à desativação de um radar essencial dos Estados Unidos no Catar, danificado por um drone iraniano.
Os israelenses normalmente são avisados da aproximação de um míssil balístico por meio de um pré-alerta enviado aos celulares. A notificação é emitida assim que o lançamento é detectado — geralmente poucos instantes após o disparo. Cerca de dez minutos depois, as sirenes são acionadas nas áreas com maior probabilidade de serem atingidas.
Nos últimos dias, porém, esse intervalo, que torna o sistema particularmente eficaz, foi drasticamente reduzido para apenas dois ou três minutos. O Exército israelense afirma que não se trata de uma falha técnica.
Acontece que, após pressão, as Forças Armadas divulgaram um comunicado neste fim de semana informando que já não conseguem garantir o envio sistemático do pré-alerta.
Radares americanos
De acordo com análises de imagens de satélite divulgadas por vários veículos de comunicação, o regime iraniano tem buscado atingir radares, sensores e sistemas de detecção americanos instalados em países do Golfo. A estratégia é sobrecarregar os sistemas de defesa antimísseis dos Estados Unidos e de Israel.
Por Valter Nogueira