A principal emissora pública de TV da Hungria interrompeu temporariamente seus telejornais, nesta semana. E, de forma democrática, exibiu uma mensagem incomum aos telespectadores, na qual reconhece ter mentido durante anos – durante o governo do ditador Viktor Orbán – e pede desculpas ao público.
A medida do novo governo do primeiro-ministro Péter Magyar, da Hungria, torna público o que a Europa e o mundo já sabiam: o governo ditatorial de Orban trabalhava montado em pilares de mentiras.
Ditador é assim, opera com a mentira, com a força e a repressão. E o faz para esconder a verdadeira face: corrupção e assassinatos. No enanto, ninguém consegue enganar todo mundo por muito tempo – a verdade sempre aparece.
Ditadores/extremistas chegam ao poder com a máscara de “bom moço”. Sem conteúdo, precisam enganar o povo para que muitos acreditem em suas “boas intenções”. Como são falsos, precisam lançar mão da mentira para iludir a sociedade.
Nessa toada, para transformar uma mentira em “verdade”, mesmo que temporariamente, recorrem ao discurso fácil: religiosidade, patriotismo e valores – Deus, Pátria e Família.
Acontece que a máscara da mentira sempre cai – a verdade sempre reina.
TV Húngara
Retornando à TV húngara, a emissora (canal M1), antes de sair do ar, exibiu um comunicado afirmando que “a mídia pública não deve mentir” e pedindo desculpas por “tê-lo feito durante muitos anos”.
A mensagem também informa que a emissora passa por uma reformulação para se tornar “independente e confiável” e que a programação jornalística foi suspensa temporariamente.
Veja, leia, o comunicado:
“A mídia estatal não pode mentir. Pedimos desculpas por fazer isso durante tantos anos! A mídia pública está se transformando para ser independente e confiável no futuro. O serviço de notícias está temporariamente suspenso! Fiquem ligados!”.
Interrupção do sinal
A interrupção ocorre após a chegada de uma nova direção à emissora estatal. O primeiro-ministro Péter Magyar classificou a medida como “o fim das transmissões de propaganda nas plataformas de mídia pública”. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o momento representa uma ruptura com o modelo adotado durante o governo ditatorial de Viktor Orbán, que permaneceu 16 anos no poder.
Magyar tem promovido uma série de reformas voltadas ao combate à corrupção e à reestruturação de instituições estatais, com o objetivo declarado de reduzir a influência deixada pelo governo anterior. A mudanças também buscam reconstruir a relação da Hungria com a União Europeia e destravar bilhões de euros em recursos que permaneceram congelados.
Por Valter Nogueira