Brasília, 1 de janeiro de 2023. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi oficialmente empossado como 39º presidente da República neste domingo (1). No Congresso Nacional, Lula afirmou que venceu as eleições graças à frente democrática que formou durante a campanha.
“A democracia foi a grande vitoriosa da eleição, superando abjeta campanha de ódio. Nunca recursos do Estado foram tão desvirtuados em nome de um projeto autoritário”, afirmou, em referência ao governo passado.
O novo presidente acrescentou: “hoje a mensagem é de esperança e reconstrução”.
Diagnóstico
O novo chefe do executivo nacional informou que o diagnóstico feito pela equipe da transição é de um “desastre orçamentário” e vai encaminhar as conclusões ao Congresso, Poder Judiciário e sindicatos para que possam tirar suas próprias conclusões sobre o “desmonte” que aconteceu no País.
Lula disse que não vai perseguir seus opositores, mas afirmou que “quem errou responsabilizará por seus erros com direito à ampla defesa”.
O petista falou em “negação da política” e destruição do Estado em nome de “supostas liberdades individuais”. “A liberdade que sempre defendemos é a de viver com dignidade, com pleno direito de expressão, manifestação e organização. A liberdade que eles pregam é a de oprimir o vulnerável, massacrar o oponente e impor a lei do mais forte acima das leis. O nome disso é barbárie”, afirmou.
Lula afirmou que quer comandar um governo com base em “esperança e reconstrução” e, sem citar Bolsonaro, disse que assume o cargo sobre “terríveis ruínas” e após se deparar com um “desastre orçamentário”.
Segundo ele, a decisão das urnas prevaleceu graças ao sistema eleitoral reconhecido pela eficácia. “O Tribunal Superior Eleitoral fez prevalecer verdade das urnas sobre violência”, afirmou.
O presidente usou o discurso para traçar algumas medidas e prioridades do governo, em aceno às demandas de parlamentares e de setores da economia. Ele anunciou que tomará medidas imediatamente para reestruturar os órgãos da administração federal. Retomar uma política de reajuste real do salário mínimo e acabar com as filas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão entre as medidas citadas.
O novo governo, irá, também, retomar o Minha Casa, Minha Vida, reestruturar o Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC) e impulsionar empresas por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES) também foram prioridades citadas. Em aceno à agenda internacional do meio ambiente, Lula prometeu zerar o desmatamento ilegal sem “derrubar árvores e invadir nossos biomas”.
Presenças
No Congresso, foram registradas presenças de deputados e senadores, atuais e eleitos, ministros escolhidos por Lula, ministros de tribunais superiores, familiares do presidente eleito, familiares do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB). Presentes, também, funcionários do Congresso Nacional, ex-presidentes da República, ex-presidentes do Congresso e 80 integrantes de delegações internacionais estão entre os convidados.
Quebra de protocolo
Antes de discursar, Lula quebrou o protocolo da cerimônia de posse. Na hora de assinar o termo de posse, documento que o formaliza como presidente–, Lula pediu a palavra e disse que usaria uma caneta com valor sentimental, e não a disponibilizada pelo Congresso.
“Eu estou vendo aqui o ex-governador do Piauí, companheiro Wellington [Dias], eu queria contar uma história. Em 1989, eu estava fazendo comício no Piauí. Foi um grande comício, depois fomos caminhar até a igreja São Benedito. Ao terminar o comício, um cidadão me deu essa caneta e disse que era para eu assinar a posse, se eu ganhasse as eleições de 1989.”
“Eu não ganhei as eleições de 1989, não ganhei em 1994, não ganhei em 1998. Em 2002, eu ganhei as eleições e, quando cheguei aqui, tinha esquecido a minha caneta e usei a do senador Ramez Tebet. Em 2006, assinei com a caneta aqui do Senado. Agora, eu encontrei a caneta. E essa caneta aqui, Wellington, é uma homenagem ao povo do Piauí”, contou Lula.
Em seguida, o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pediu pra assinar também com a mesma caneta.
Rodrigo Pacheco
O senador Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso Nacional, presidiu a sessão solene de posse. Em discurso, antes de encerrar a sessão, Rodrigo reafirmou o compromisso do Poder Legislativo com a Democracia Brasileira. “É hora de pacificação, deixemos para trás tudo que divide. O futuro se desenha no presente, não percamos essa oportunidade”, arrematou.