Novo capítulo sangrento do conflito Israel-Palestina

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Por Valter Nogueira

Nada justifica o terrorismo! Os ataques do grupo Hamas a Israel no último dia 6 de outubro do ano em curso foram os maiores ocorridos nas últimas décadas, com registro de centenas de mortes – dos dois lados. Na origem da guerra, fanatismo, extremismo, racismo, nacionalismo e disputa por terras.

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Há perplexidade ante à planejada e eficiente ação do Hamas e, também, às falhas de segurança de Israel, que tem um sofisticado sistema de defesa antimísseis. A região da Faixa de Gaza estava sob um forte esquema de segurança.

Na guerra, sempre há o perigo de morte.  No entanto, o que veio à tona na última sexta-feira (06/10/2023) não foi o primeiro caso de guerra entre judeus e palestinos, mas sim mais um capítulo sangrento da intolerância de povos envolvidos na questão em tela.

Para entender o que ocorre atualmente, é preciso rever a história. Na realidade, a atual guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas é consequência de um conflito que se estende há décadas.

As guerras na região eclodiram a partir da criação de Israel, em 1948. No entanto, a origem do conflito entre palestinos e judeus é mais antiga, remonta ao final do século 19, com advento do movimento sionista.

O sionismo surge no fim do século 19, quando apareceram na Europa diversos movimentos nacionalistas.

O jornalista húngaro e ativista judeu Theodor Herzl lançou a semente. Ele defendia a tese de que a sobrevivência do povo judeu dependia da formação de um país. Mais do que isso, a nação judaica deveria, segundo Herzl, se erguer sobre a Palestina, região onde a terra de Israel existiu, segundo a Bíblia.

À época, o povo judeu vivia espalhado pelo mundo.

Ocorre que a Palestina, no século 20, era habitada por árabes e muçulmanos que viviam sob o domínio do Império Otomano.

Em 1922, o Império Otomano caiu e os britânicos assumiram o controle da região. A partir de então, judeus espalhados pelo mundo começaram a migrar para a Palestina.

A migração se intensificou nas décadas de 1930 e 1940, em razão da perseguição nazista aos judeus.

Ante à nova realidade, verificou-se oposição árabe à chegada em massa de judeus a região. A presença judaica cresceu exponencialmente na Palestina, a ponto de, ao final da 2ª Guerra, representar um terço da população local.

Em 1947, a ONU aprovou um acordo que dividia o território entre árabes e judeus. Ficou acertado, também, que Jerusalém, cidade sagrada para os dois povos, seria administrada pelas Nações Unidas.

Os judeus aceitaram a proposta, mas os árabes não.

Em ato contínuo, e diante do impasse, o líder israelense David Ben-Gurion declarou a independência de Israel em 14 de maio de 1948, o que gerou revolta junto ao Egito, Síria, Líbano e Jordânia. Estes atacaram Israel, um dia após a declaração de independência. O armistício só foi assinado no ano seguinte.

A ONU, pouco tempo depois, reconheceu o Estado de Israel, que em seguida ocupou parte da Palestina. Outros territórios foram divididos: a Faixa de Gaza ficou com o Egito; a Cisjordânia e o leste de Jerusalém com a Jordânia.

Atos contínuos

Em 1964, foi fundada a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), a principal representação palestina.

Em 1967, ocorreu a Guerra dos Seis Dias (entre 5 e 10 de junho), quando Israel atacou em resposta à movimentação militar de países vizinhos. O conflito consolidou o poder militar israelense, que derrotou Egito, Síria e Jordânia.

Em decorrência da guerra, Israel assumiu a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, as colinas do Golã e a Cisjordânia, incluindo Jerusalém oriental.

Em 1973, Egito e Síria fizeram um ataque surpresa durante o Yom Kippur, um dia sagrado para os judeus. Israel quase perdeu o conflito, mas venceu no final.

Em 1977, Israel intensificou a ocupação dos territórios palestinos com a construção de assentamentos na Cisjordânia.

Em 1979, Israel assinou um acordo de paz com o Egito e deixou a Península do Sinai. Em troca, o país árabe reconheceu o Estado judeu.

A resposta palestina nos anos 1980 ocorreu com ataques por parte da OLP, então liderada por Yasser Arafat. Naquela década nasceu o grupo libanês Hezbollah, contrário ao Estado israelense.

Intifada

As tensões culminaram na Primeira Intifada, em 1987 — uma revolta palestina contra a ocupação de Gaza e Cisjordânia. No mesmo ano, nasceu o Hamas, grupo extremista baseado em Gaza.

OLP reconhece Israel

No ano de 1993, o então primeiro-ministro israelense, Ytzhak Rabin, assinou com Arafat o Acordo de Oslo.

Nele, a OLP reconhecia Israel, que aceitou a OLP como representante dos palestinos. Nascia, em 1994, a ANP (Autoridade Nacional Palestina), responsável pelo controle da segurança e das necessidades civis de palestinos.

Novos ataques

Após novos acordos de paz, grupos fundamentalistas voltaram a atacar.

Em 1995, aconteceu o inesperado – tipo fogo amigo. Um judeu de extrema direita matou o primeiro-ministro israelense Rabin, enquanto o Hamas apostava em ataques terroristas contra civis.

Em 2001, ataques suicidas com bomba marcaram a Segunda Intifada. Israel respondeu erguendo um muro na fronteira com a Cisjordânia. Em 2009, 2012 e 2014, revidou os lançamentos de foguetes pelo Hamas com ataques contra Gaza que mataram centenas de palestinos.

Extrema direito e conflitos internos

Em 2018, o Estado de Israel completou 70 anos mergulhado em conflitos. A ascensão da extrema direita no país dividiu a sociedade nos últimos anos, dificultando até a formação de governos.

Em 2021, um conflito em Jerusalém durou 11 dias. Em 21 de julho de 2023, israelenses assentados depredaram casas, carros e atiraram contra palestinos, que revidaram com foguetes.

As tensões efervesceram a ponto até culminarem no ataque do Hamas no último sábado (7), com posterior declaração de guerra por Israel contra a célula terrorista, resultando em mais de mil mortos.

Redes sociais

A Guerra em Israel, ou o conflito entre árabes e judeus, envolve questões profundamente complexas e sensíveis. Por essa razão, não pode e não deve ser banalizada a partir de qualquer tipo de postagens nas redes sociais.

A desinformação sobre o assunto em questão pode criar mais problemas do que ajudar quando o assunto é levado às redes sociais.

As opiniões podem e devem ser disseminadas nas redes, no entanto, é recomendável não pecar, por assim dizer, pelo extremismo – seja de um lado ou de outro –, ou pela desinformação.

Valter Nogueira
Valter Nogueira
Valter Nogueira de Amorim, jornalista profissional, é o editor-chefe do blog. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Paraíba (1988). Atuou nos principais jornais impressos do Estado, tais como A União, O Momento, Correio da Paraíba e O Norte. No campo administrativo, foi secretário de Comunicação da Prefeitura Municipal de Santa Rita (1997-2005), assessor de Imprensa da Prefeitura de Pedras de Fogo (2008). Exerceu, também, o cargo de gerente de Comunicação do Tribunal de Justiça da Paraíba, no período de fevereiro de 2015 a janeiro de 2019.

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